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Seg, 24 de Junho 2019 - 15:39

Servidores relatam falta de verba até para papel higiênico e giz em escola estadual de São Carlos

Por: Por G1 São Carlos e Araraquara

 

Professores e pais de alunos fazem campanhas para repor produtos de higiene básica e materiais escolares. Dirigente de ensino nega denúncias.

A Escola Professor Bento da Silva César, em São Carlos (SP), não tem dinheiro nem para comprar produtos básicos de higiene e material escolar, segundo denúncias de servidores. Para suprir a falta de itens essenciais para o funcionamento da escola, como papel higiênico e giz, professores realizam campanhas chegam a pagar as impressões de provas com o próprio dinheiro.

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) de São Carlos informou que a situação se replica a várias escolas da cidade e que foram feitas várias notificações sobre os casos à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, sem eficácia.

Por telefone, a dirigente regional de ensino de São Carlos, Débora Blanco, negou todas as denúncias e informou que as escolas estaduais têm vários mecanismos para receber as verbas necessárias (Veja o posicionamento completo abaixo).

 

Falta verba

Um dos servidores da Escola Professor Bento da Silva César, que não quis se identificar, contou ao G1 que, há pelo menos dois anos, a unidade deixou de receber um valor considerável do governo estadual, que era direcionado à compra de vários materiais essenciais para as atividades.

A instituição, que recebe alunos do 1º ao 9º ano do ensino fundamental, chegou a mandar recado aos pais pedindo para que cada aluno levasse um rolo de papel higiênico, pois a escola não tinha dinheiro para comprar. Além dos itens de higiene, faltam ainda materiais escolares básicos e verbas para a manutenção do prédio.

"É muita luta, a escola é toda endividada. Ela tem dívida com o eletricista para poder arrumar o ventilador, tem dívida com a papelaria porque precisa de canetão para a lousa, tem que imprimir prova e não tem folha sulfite, tem que comprar giz e não tem verba", disse.

 

Campanhas e dívidas

Para evitar que as atividades sejam prejudicadas, a escola realiza campanhas de doação, vende pizzas e aproveita datas comemorativas para a realizar festas que possam ajudar a levantar fundos.

"Repor o que falta já é uma coisa de rotina da escola. Agora é época de festa junina para levantar fundos. No caso da nossa escola, é levantar fundos para pagar as dívidas. A gente se organizou porque a verba não vai dar para pagar todo mundo, então quem a gente vai pagar?", disse o servidor.

Ele contou que muitos professores acabam imprimindo as provas dos alunos em casa ou até pagando as cópias com o próprio dinheiro.

Segundo o servidor, neste ano, o kit escolar das crianças atrasou e, quando chegou, não tinha a quantidade suficiente para os alunos. Os livros didáticos seguem na mesma situação e, várias vezes, os professores precisam colocar as crianças em grupos para realizarem atividades com o material.

 

Caso se repete

De acordo com o conselheiro da Apeoesp de São Carlos, Ronaldo Motta, o caso da Escola Professor Bento da Silva César não é o único e acontece com frequência nas escolas estaduais da cidade. A situação vem piorando desde 2015.

"A gente tem denunciado há algum tempo. Há um corte de verbas da Secretaria de Educação que repercute mais severamente desde 2017, que implica em corte de materiais e também de verbas para a compra de materiais. Isso acontece, apesar da secretaria dizer que não", disse.

 

Falta de agentes

Motta disse também que a Apeoesp vem há meses tentando respostas para outro problema causado pelos cortes na Educação, que se estendem para a contratação de agentes educacionais, responsáveis pela portaria e segurança da escola, acompanhamento de alunos no pátio e os que fazem o serviço burocrático na secretaria da escola.

"Houve um concurso público para tentar preencher as vagas abertas no ano passado. Em janeiro, houve a chamada dos funcionários que fizeram a escolha das escolas e até agora o governo não deu posse aos funcionários, porque está contendo o gasto. Isso, para eles, é um gasto", contou.

Entre as escolas que estão funcionando sem agentes, estão a E. E. Professor Aduar Kemell Dibo, no bairro Jardim dos Coqueiros, a E. E. Cidade Aracy IV, ambas em São Carlos e a E. E. Jardim Icaraí, em Ibaté (SP).

Segundo Motta, como o corte é estadualizado, o grau dos problemas varia de escola para escola, pois cada uma recebeu uma porcentagem de acordo com o porte da instituição.

"O sindicato tem dificuldade para ter acesso aos números, por isso não pode estimar quanto foi a porcentagem ou o valor do corte. A questão é que temos escola com carência total", disse.

 

Secretaria nega denúncias

Segundo a dirigente regional de ensino de São Carlos, as denúncias apresentadas pelos servidores não procedem e os materiais de higiene – como o papel higiênico –, assim como a limpeza dos prédios escolares são de responsabilidade das empresas terceirizadas que ganharam a licitação, então a secretaria não teria que mandar recursos para esse fim.

Além do contrato com a empresa, a secretaria tem ainda outros mecanismos para destinar fundos às escolas chamado Rede de Suprimentos, que engloba a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE). Citou ainda o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) e o Crédito Direto.

"Mas dinheiro público tem que ser cuidado, tem que ser pedido, tem que ser justificado, tem que ser aplicado no destino certo. Dinheiro para limpeza é para limpeza, dinheiro para papelaria é para papelaria, você não pode misturar recursos, então demanda uma gestão de tudo isso", disse.

Sobre as campanhas feitas para cobrir os gastos e dívidas das escolas, a dirigente disse que nenhuma campanha é feita com essa intenção, mas sim para o bem-estar da comunidade.

"O que as escolas estão fazendo são as campanhas e movimentações para a festa junina. Acho que isso é um equívoco porque as pessoas estão aproveitando para fazer alguma associação com esse assunto de corte de verbas, porque eu tenho como comprovar tudo isso que te falei", disse.

Sobre o quadro de funcionários desfalcado e agentes que aguardam nomeações, a dirigente de ensino afirmou que todas as escolas estão com diretor, vice-diretor, coordenador e professor-mediador.

 

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