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Qua, 11 de Abril 2018 - 17:26

Educação fraca favorece populismo de direita, diz professor de Harvard

Por: Por Thais Carrança | Valor Econômico - 10.04

 
 
As experiências recentes do Brexit e das eleições americanas de 2016 sugerem que a parcela menos educada da população tende ao populismo de direita na saída de crises, disse Niall Ferguson, historiador e professor de Harvard, durante sua participação no evento Macro Vision, promovido pelo Itaú, nesta terça-feira em São Paulo.
 
"O que vimos no Brexit e na eleição americana de 2016 foi que pessoas de mais baixa educação têm maior probabilidade de votar no populismo de direita. Isso se mostrou também verdadeiro em eleições europeias recentes", disse. Segundo ele, pessoas com maior educação tendem ao centro, seja de esquerda ou direita, porque o mundo "funciona" para essa parcela da população, que por isso é favorável à manutenção do status quo. "As pessoas que não se beneficiam do status quo são atraídas por quem diz que pode mudar o sistema, que pode sozinha resolver o problema, seja de imigração ou criminalidade", citou o historiador.
 
Segundo Ferguson, em qualquer país do mundo, após crises, populistas de direita tendem a ter bom desempenho, mas populistas de esquerda também têm algo a oferecer. "Na ausência de Lula, alguém pode ocupar esse espaço. Imagino que o pesadelo de vocês seja uma disputa entre Bolsonaro e o substituto de Lula", falou o professor à plateia do evento, dizendo que isso seria algo semelhante a se a disputa nos Estados Unidos tivesse sido entre Donald Trump e Bernie Sanders, ao invés de Hillary Clinton pelo partido Democrata.
 
Redes sociais
 
Especialista em redes sociais e autor de livro a ser lançado sobre o tema, Ferguson destacou que ainda se dá pouca atenção a esses meios como "previsoras" de resultados políticos. Ele citou o exemplo americano, em que Barack Obama e Trump superavam em seguidores seus opositores derrotados nas eleições. No Brasil, lembrou que Bolsonaro tem clara dianteira em relação aos demais candidatos, em termos de números de seguidores. "A transformação trazida pelas redes se aplica a todas as democracias. No futuro, haverá dois tipos de candidatos: aqueles que entendem como usar as redes sociais e aqueles que perdem", afirmou.
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