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Qua, 08 de Agosto 2018 - 19:20

Professor da rede estadual de SP ganha menos que média brasileira

Por: Portal CBN - 07.08 - GUILHERME BALZA (guilherme.balza@cbn.com.br)

 

"Problemas de depressão, transtorno de pânico, ansiedade. Posso colocar que de cada dez são seis, mais ou menos"

"Não é saudável trabalhar 64 horas por semana."

"Já tive casos em que eu tive que ficar olhando mais de uma sala ao mesmo tempo."

A lista é extensa: jornadas exaustivas, contratos precários, violência e o ganha-pão: o salário inicial do professor do estado é de R$ 2,2 mil.

Quem trabalha 20 horas, recebe metade disso. Há vinte anos, o professor recebia entre cinco e seis salários mínimos. Hoje, não passa de dois. A inflação do período foi de 240%, mas o salário subiu cerca de 150%.

Gabriel Freitas é doutor em Geografia e dá aulas em uma escola estadual na capital. Para sobreviver, faz a chamada "dobra". Leciona também na rede municipal. A cada dia, são 300 alunos pela frente e 13 horas de trabalho.

"Um dos grandes problemas que eu tenho é com relação à violencia moral por parte dos discentes com relação aos docentes. E a sobrecarga é tão grande que eu tenho que tomar estabilizante de humor, antidepressivo e fazer psicoterapia pra dar uma aliviada em toda essa carga que não só como meus colegas de trabalho sofrem também."

Em 2016, mais de 50 mil professores do estado, um quarto do total, se afastaram por transtornos psíquicos. Metade dos deles já foi vítima de agressão verbal ou física, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva.

O professor de Geografia Rodrigo Moretti Bueno dá aula na mesma escola que estudou. Trabalha perto de casa, é querido pelos alunos e tem como colegas seus antigos professores. Mas vai ter de trocar a escola estadual em um bairro de classe média por uma municipal na periferia, onde vai ganhar 50% a mais.

"É uma escola que eu gosto. Tenho até vínculos afetivos com ela. Gosto muito dos alunos, dos professores que trabalham comigo. Exclusivamente é questão financeira. A gente de longe não tá preparado pra lidar com uma série de questões. Nem profissional, nem psicologicamente"

Apesar do alto custo de vida em São Paulo, o salário médio do professor do estado é de R$ 3,1 mil, abaixo da média nacional das redes estaduais, que é de 3.400 reais. Os dados são do Inep, órgão vinculado ao MEC.

O professor de Artes Pedro Braga exonerou no estado, onde ganhava R$ 2,2 mil para dar aulas na rede municipal, ganhando R$ 3,7 mil.

"Não faltam só professores, faltam inspetores, faltam diretores concursados e faltam professores. A falta de inspetores faz com que professores façam esse papel de colocar os alunos na sala de aula.Toda a situação da escola faz com que o professor se sinta ao mesmo tempo sozinho e também fica o tempo todo exausto."

Para cobrir a fuga dos professores, o estado contrata docentes que trabalham por temporada. Dão aula durante um ano e depois ficam em quarentena. Não tem estabilidade, nem criam vínculos com as escolas. Tai Veroto foi um deles.

"A sensação mesmo foi: 'olha, não teve ninguém aqui pra dar aula de artes, vamos pegar qualquer um que aparecer'. E aí esse qualquer um fui eu. Você dar na mão de uma péssoa de 22 anos, que não tem nada de pedagogia, você dar ali cinco turmas de crianças. Então é muito irresponsável."

Uma ação de fiscalização Tribunal de Contas do Estado identificou que quase 20% dos professores da rede estadual são temporários, o dobro do recomendado.

O presidente em exercício da Apeoesp, o sindicato dos professores, Fábio Santos de Moraes, diz que o sonho do professor é se dedicar a uma escola só.

"Porque aí ele pode chamar o aluno pelo nome, conhecer a realidade daquela comunidade, pode ter outra condição de trabalho e de vida. Um professor com 64 aulas ele tem 900 alunos. Você imagina corrigir 900 provas?"

Em nota, a Secretaria de Educação do Estado informou que realizou três concursos nos últimos sete anos, com a nomeação de 97 mil professores.

Segundo a secretaria, são cinco novos professores para cada professor exonerado. A pasta informa ainda que nos últimos sete anos pagou R$ 4 bilhões em bônus aos educadores e que negocia um reajuste de 10% aos docentes. Por fim, a secretaria sustenta que está em andamento um concurso para contratar 1.495 agentes de organização escolar.

OUTRO LADO

Em nota, a Secretaria de Educação do Estado informou que realizou três concursos nos últimos sete anos, com a nomeação de 97 mil professores.

Segundo a secretaria, são cinco novos professores para cada professor exonerado. A pasta informa ainda que nos últimos sete anos pagou R$ 4 bilhões em bônus aos educadores e que negocia um reajuste de 10% aos docentes. Por fim, a secretaria sustenta que está em andamento um concurso para contratar 1.495 agentes de organização escolar.

 

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