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Sex, 20 de Março 2020 - 11:34

Companheiro João Felício, ex-presidente da APEOESP, da CUT e da CSI, presente!

Por:

 
A APEOESP, Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, lamenta profundamente, e é com extrema tristeza e esforço, que tentamos encontrar forças para relatar o falecimento do companheiro, amigo e conselheiro de todos nós, João Antônio Felício, que nos deixou na madrugada do dia 19 de março de 2020. 
 
 
Felício fez de sua vida, a militância política e sindical. Seu legado político de ordem moral, ético e de luta não poderá jamais ser esquecido. Professor da rede estadual de ensino, Felício iniciou sua militância nos anos 70. Em 1979, participou ativamente do movimento nacional que retomou os sindicatos dos trabalhadores das mãos dos patrões e dos governos da ditadura militar, no que se convencionou chamar de “o novo sindicalismo brasileiro”.
 
 
Em 1981, já na Diretoria Executiva da APEOESP, foi um dos primeiros dirigentes sindicais do País a vislumbrar e a impulsionar a luta dos trabalhadores por meio da Cultura, além de agregar ao Departamento de Cultura do Sindicato, as comissões de Mulheres e a de Combate ao Racismo. Em decorrência desse vigoroso trabalho, deu início à formulação da concepção de Educação e Escola Pública da APEOESP.
 
 
Depois de participar da fundação da CUT, em 1983, foi eleito, em 1987, presidente da APEOESP e reeleito por mais dois mandatos. Participou da elaboração da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e liderou uma das maiores greves já realizadas pela categoria, com 82 dias de paralisação.
 
 
João Felício foi um dos artífices do “sindicato cidadão”, conceito abraçado pela CUT. Sua pujança deixada durante sua direção na APEOESP já dava contornos ao Sindicato como uma das maiores entidades sindicais da América Latina.
 
Nos anos 90, foi eleito secretário geral e, em 2000, assume a presidência da 5ª maior central sindical do Mundo: a CUT.
 
 
O companheiro foi ainda suplente do Senador Eduardo Suplicy, membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, e do Conselho de Administração do BNDES. Em 2014, foi eleito presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI), o primeiro latino-americano a presidir essa importante central sindical internacional, que congrega, hoje, 176 milhões de trabalhadores, 325 entidades filiadas, em 161 países e territórios.
 
 
À frente da CSI, João Felício dedicou-se a refletir e a organizar a classe trabalhadora para enfrentar a reorganização produtiva imposta pelo neoliberalismo e, consequentemente, no aumento da exploração da classe trabalhadora e seus reflexos, como o desemprego em massa, os baixos salários, a precarização das condições de trabalho, a perda de direitos sociais e as privatizações. João Felício dedicou-se nos últimos anos a organizar os trabalhadores e a incentivar o aumento dos índices de sindicalização em todo o mundo, como reflexo imediato dos ataques neoliberais.
 
 
Seu legado é referência para a nossa geração e às gerações futuras. Que seus exemplos, conselho e orientações políticas sirvam de estímulo para todos continuarem na luta inadiável que a classe trabalhadora exige.  
 
João Felício, presente!
 
 
 

 
Minha geração está indo embora.
Não sei se a vida é curta ou longa demais.
Fazemos parte da natureza, de tudo que é vivo é digno de perecer.
Morte , o que você é? Que as palavras não conseguem definir e aplacar a dor da perda.
Que nos deixa perdidos num labirinto, é num imenso e inócuo vazio do buraco negro.
É parte de um processo natural da vida, que estamos sempre buscando alguma explicação para entendermos e justificar.
É uma interrupção abrupta de tudo que nos rodeia.
É  a outra face da mesma moeda, que está a vida.
A morte não é nada.
Ou a morte é tudo o que você representou na vida.
Só sei que João Felício não está mais entre nós.
João Felício parou de pensar.
Deixa imensas e incomensuráveis saudades.
Seu estilo de ser.
Sempre polido nas polêmicas.
Sempre intransigente nas suas convicções políticas e ideológicas.
Combatemos um bom combate nos atritos da luta de classes.
Divergimos e demos garlhados sorrisos das contradições dos movimentos sociais.
Debatemos  e fomos ríspidos na condução das lutas pela defesa das liberdades democráticas contra a ditadura militar.
Nos confrontamos e fizemos grandes polêmicas na defesa da Educação Pública, Laica e de Qualidade para Todos.
Esteja onde estiver, não te esquecerei como amigo e adversário político no nosso sindicato APEOESP e nos movimentos sociais.
 
SAUDADES.
 
EDGARD FERNANDES NETO
 

 

João Felício, uma vida espetacular

Lembro-me de nos idos da década de 90 ter sido incentivado por ele a fazer uma fala pública em congresso para defender nossa tese. Devo a ele minha iniciação como dirigente sindical.  Suas argutas análises de conjuntura e o reconhecimento do movimento sindical internacional é que ficarão em nossa memória e sentimentos. Um líder inconteste teve, usando um termo de que gostava, uma das mais belas experiências de vida e de luta ao participar ativamente da construção da resistência à ditadura no seio do movimento dos professores e professoras, assim como por uma educação pública de qualidade.

Foi presidente de duas entidades que estão desde o final da  década de 70 (Apeoesp) e meados da de 80 (Cut) no combate por um país mais justo e solidário. Parte num momento em que sua enfermidade não o impedira  de travar intensa batalha contra o fascismo e o neo liberalismo atualmente vigente em nosso pais. Lutava contra dois cânceres: um no seu organismo, outro no poder. Um socialista que sempre criticou os socialismos soviético e chinês por impossibilitarem a organização e manifestação da classe operária. Esse era seu compromisso de classe.  Um socialista a quem o Brasil deve referenciar e que teve uma vida espetacular, outro termo recorrente em seu vocabulário.  Deixo um abraço intensamente fraternal à sua companheira, Léa Francischoni, professora da FFLCH USP,  geógrafa como eu e a quem também devo muito do meu perene aprendizado.

João Felício Presente.

Roberto Guido
(Secretário de Comunicações da APEOESP)


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