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Ter, 08 de Outubro 2019 - 16:11

'Diário de Escola': Programa auxilia na reinserção de travestis e transexuais na escola

Por: Anne Barbosa - Bom dia SP - 07.10

 
 
Participantes cumprem seis horas de atividades por dia e recebem um auxílio mensal. Levantamento da RedeTrans mostra que 82% das mulheres transexuais e travestis abandonam o ensino médio.
 
O Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja) Paulo Emilio Vanzolini, que fica no Cambuci, região Central de São Paulo, abriu as portas para o Programa Transcidadania, criado pela Prefeitura em 2015, e hoje conta com 25 alunos transexuais e travestis.
 
Vitória Lobato Maciel, de 27 anos, largou os estudos quando era adolescente. "Saí da escola porque não estava mais dando certo, era muita gente pegando no meu pé. Muitos alunos ficavam encrencando comigo. Às vezes eu estava lá de boa e o pessoal ficava 'aí, seu bichinha, seu gayzinho'. Cuspiam na minha cara, davam empurrão, puxavam meu cabelo", conta.
 
Foram anos longe das salas de aula, até que ela encontrou aqui na Capital uma oportunidade para voltar a estudar com o programa Transcidadania. Hoje, ela está cursando o 5º ano do ensino fundamental.
 
 
Abandono escolar
 
O abandono escolar é quase uma regra entre os transexuais e travestis. É ainda na escola que eles se tornam vítimas de preconceito e discriminação. Segundo um levantamento da Rede Nacional de Pessoas Trans (RedeTrans), 82% das mulheres transexuais e travestis abandonam o ensino médio entre os 14 e os 18 anos.
 
"Eu sofri muito. Chegou uma época que de tanto minha mãe ver o meu sofrimento ela falou que não dava mais. Aí eu parei de estudar e fui trabalhar na roça", conta Brenda Ferreira Nunes, de 38 anos.
 
A aluna Mariana Azevedo está no 2º ano do ensino médio e afirma que o projeto dá oportunidades tanto para os transexuais quanto para a sociedade como um todo. "É uma oportunidade para a sociedade comum conviver com a gente e ver que somos seres humanos como outros quaisquer. A gente sente dor, a gente sente raiva, a gente sente ódio, a gente sente amor como todo mundo", disse.
 
"Aprendo muito com elas e é uma troca, porque os alunos enxergam de uma outra maneira. Quando você passa a conviver com essas alunas, você percebe a verdadeira história, a verdadeira pessoa que está lá e quebra esses estereótipos que a sociedade coloca", conta o professor Mário Sério Guiguer Rozo.
 
Atualmente, 161 pessoas participam do Transcidadania, para um total de 200 vagas. As vagas remanescentes são preenchidas na medida em que os inscritos regularizam a documentação.
 
Os participantes recebem um auxílio mensal de R$ 1.047,90, uma fonte de renda fixa e segura que contribui para diminuir as ausências em decorrência da necessidade de complementar a renda com trabalhos temporários.
 
Em contrapartida, os alunos precisam cumprir seis horas de atividades por dia, incluindo o período escolar e também oficinas de qualificação profissional, como aulas de idioma, gastronomia e artes.
 
"Eu me senti tão excluída da sociedade, das pessoas. Hoje, com meu nome retificado e estudando, eu me sinto um ser humano de verdade. Antes não tinha futuro, hoje já penso totalmente diferente. Agora minha vida tem um sentido: estudar, terminar os meus estudos, fazer minha faculdade, ter um emprego bom", desabafa Brenda.
 
A escolha do nome social é um direito do aluno transexual e travesti e está assegurado pela resolução nº 45/2014. Os interessados devem recorrer à secretaria da escola e preencher um formulário com o pedido. Se o aluno for menor de idade, a solicitação deve ser realizada pelos pais ou responsáveis.
 
Como participar
 
Para fazer parte do Programa Transcidadania é preciso ter mais de 18 anos, residir na cidade de São Paulo, estar desempregado há mais de quatro meses e não receber outros benefícios, como seguro desemprego e FGTS. O período máximo de participação no programa é de 24 meses.
 
A efetuação da inscrição é feita imediatamente, mas a inclusão no programa dependerá da disponibilidade de vagas. As vagas disponíveis podem ser consultadas nas praças de atendimento do programa.
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