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Ter, 08 de Outubro 2019 - 16:08

Luta por uma educação de qualidade

Por: Jornal de Piracicaba - 07.10

 
 
A professora piracicabana Leonor Penteado dos Santos Peres, tem 56 anos de idade, sendo 37 deles dedicados à educação. Filha de Waldemar Peres e Lygia Victalina Penteado dos Santos Peres, ela tem dois irmãos: a professora aposentada Flor Peres e o tradutor juramentado Waldemar Peres Junior.
 
Além de atuar na linha de frente da educação, nas salas de aulas, Leonor também participa ativamente das lutas diárias da categoria. Ela é membro da Apeoesp (Sindicato dos Professores da Rede Oficial do Estado de São Paulo).
 
Não bastasse a rotina nada tranquila de profissional, ela também acumula as funções de mãe de  Lygia, 33 anos professora na rede privada, Lyna, 30 anos médica, Waldemar, 25 anos, piloto comercial e de Manoel, 18 anos estudante de administração.  
 
Leonor é formada em magisteéio de 1º ao 5º ano, pedagoga formada pela USP (Universidade de São Paulo) e em ciências da natureza, pela Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz).  
 
Ela é professora do Ensino Fundamental I e II, e Ensino Médio, e atualmente leciona ciências e biologia. 
 
Professora aposentada desde 2015,  ela conta que não parou e continua em sala de aula, por gostar demais da profissão embora, segundo ela, tão desprezada pelo governo 'que não tem a Educação como prioridade'. 
 
Ela disse que decidiu atuar na Apeoesp por entender que a luta é árdua, não há como esmorecer e pelo sonho de uma educação de qualidade para o Brasil. Sonho esse que só será possível com a luta em prol dos professores e dos estudantes.
 
Nas mais de três décadas dedicadas à educação pública, ela admite que ao ser questionada se há arrependimento pela escolha da profissão, a resposta é "jamais", pois está no sangue esse gosto pela profissão, e da beleza que é ver o seu ensinamento ser absorvido pelo outro e ser multiplicado.
 
Leonor disse que pertence a uma família tradicional de professores, com tias, tios, primos, mãe todas na educação. Ela contou que cresceu ouvindo que a educação é o caminho que abre todas as portas.
 
Para definir sua missão na ela cita Paulo Freire: "o professor não nasce pronto, ele se faz ao longo de sua história". E como os sonhos não podem morrer ela garante que vai permanecer na luta enquanto tiver forças por uma educação de qualidade.
 
Nesta semana, a professora concedeu esta entrevista para o Persona entre uma aula e outra, por telefone e por e-mail, com a dedicação típica dos educadores.
 
Neste dia 15 de outubro de 2019, o que os professores têm a comemorar?
 
Infelizmente, não se há muito a comemorar, como bem sabem, a educação pede socorro, e o descaso dos governantes só aumenta as estatísticas de professores que querem deixar o cargo por vários motivos, entre eles a saúde e a violência.
 
Em sua avaliação, o papel do professor tem se mantido o mesmo com o decorrer do tempo, mudança de gerações, expectativa da sociedade?
 
Não, pois  nas gerações anteriores ainda se  tinha uma expectativa melhor, hoje o professor trabalha sem estímulo, sem materiais, pois o governo não prioriza, é simplesmente giz e lousa, e exigindo cada vez mais "milagres". 
 
Como a senhora a valia a situação da educação no país?
 
A educação pede socorro, não está nada boa. Os governantes não se espelham em países de Primeiro Mundo, onde a educação é a chave que abre todas as outras portas.
 
Qual sua opinião sobre o projeto da  Escola sem Partido?
 
É a pior coisa que podia acontecer, estamos lutando bravamente para que esse projeto jamais – em tempo algum – consiga passagem nas nossas escolas, é mascarar a educação, é tirar do professor a sua liberdade de cátedra.
 
Em todo o país, e aqui em Piracicaba, têm sido comum notícias de professores agredidos por estudantes no exercício da profissão. Como  a senhora avalia essa situação?
 
Novamente venho a dizer, o descaso com a educação de nossos governantes, cada vez mais tirando projetos que dão certo nas escolas como, por exemplo, professores mediadores, entre outros, que geram esse tipo de situação que não podemos admitir. Precisamos de mais segurança.
 
E a tecnologia, ela contribui para a formação do estudante? De que forma? Como diz a velha frase" só para inglês ver", pois é tudo superficial, do modo como é colocada hoje.
 
Ainda há orgulho em ser professora?
 
Eu tenho, porque a esperança é a última que morre, tenho orgulho de ser professora, mesmo no meio desse caos.
 
Qual o principal desafio dos professores brasileiros hoje?
 
O principal desafio dos professores hoje é conseguir trabalhar para conseguir resolver e aplicar todo os projetos que o governo impõe, sem ter material próprio, sem ter estrutura física para que os projetos aconteçam. Hoje em dia, as coisas vêm de cima pra baixo, não sabem se a escola tem laboratório de química, de biologia, não sabem se a escola tem laboratório de informática adequado à demanda de alunos. Simplesmente eles colocam: tem de ser feito esse projeto, colocam a meta, põem prazo e, pior de tudo, querem resultados. Quando chega na mídia, ele (governo) fala que está investindo na educação, com cursos para professores sendo que não adianta dar curso para os professores se nós não temos como aplicar devidamente o que nos foi proposto. Eu mesmo, professora de biologia e ciência, não tenho um laboratório, muito menos materiais dos quais, ele na apostila, coloca para a gente fazer experiências. Se você quiser, tem de comprar, tem de tirar do bolso se quiser dar uma aula diferente. Como eu disse, o material nosso é giz e lousa e olhe lá quando não falta. E o precário salário, eu ouvi hoje de manhã que o secretário da educação disse que o salário inicial de um professor é de R$ 2.500 mil. Eu gostaria de mostrar, porque como sou aposentada, eu voltei à ativa e meu salário é inicial. Gostaria de mostrar meu holerite para ele ver se é isso mesmo. Então é uma grande mentira que ele passa na mídia. O grande desafio é isso: trabalhar, se empenhar por um salário mísero, de fome, quando antigamente, bem antigamente, o salário de um professor se igualava ao de um juiz. Infelizmente não é mais assim.
 
E no sindicato, como a senhora avalia as conquistas da categoria e as principais reivindicações ?
 
O sindicato, atualmente – como sempre fez – é uma luta interminável e quando a gente ganha uma batalha aparece outro obstáculo, e a gente ganha esse outro obstáculo e vão aparecendo outros. As nossas reivindicações são muitas, nossos salários estão defasados há anos, nós ganhamos um reajuste de salário na Justiça de 10,15% em todas estâncias e até hoje o governo não pagou. A nossa presidente, a Bebel (Maria Izabel Azevedo Noronha – deputada estadual e presidente da Aepoesp) vai insistentemente à Secretaria de Educação pedindo agenda com o secretário porque a cada dia é uma atrocidade contra o professor. Agora é a atribuição de aulas, ele (secretário) fez alterações sem consultar os professores. A Bebel está pedindo agenda para discutir esses assuntos e ele não agenda, não atende. Antigamente, pelo menos, o governador ou o secretário atendia, hoje quer fazer do modo como ele entende e que é melhor, mas melhor para quem? Para ele e para os cofres públicos, porque os projetos que estão chegando são totalmente alienados à entidades e eu não estou vendo perspectivas desse governo em ter interesse realmente pela educação. A nossa luta do sindicato é incessante, não para jamais, contra a truculência desse governo que não vê a educação como prioridade.
 
Os professores têm a simpatia e apoio da sociedade no processo de construção de uma educação ideal?
 
Quando fazemos aulas públicas em praças, atos, a gente convida a população participar conosco porque o que o governo passa na mídia e na TV parece que é tudo maravilhoso, a escola a educação está tudo caminhando bem, quando na verdade nem um 9º está acontecendo conforme o governo fala. O importante para eles são números. Se a escola não atingiu a meta, o que acontece? Ele pune os professores por bônus, sem querer saber os motivos,. Na verdade, o sindicato é contra essa bonificação, esse dinheiro deveria ser parte integrante do nosso salário, porque cada escola é uma realidade. Ele valoriza como um prêmio, se a escola foi bem ou mal, às vezes a escola foi bem, mas não sabemos as reais condições de ela ter ido bem ou mal. Nessa bonificação que ele pune os professores e eleva outros e nesse jogo, a própria categoria fica dividida. Em linhas gerais, precisamos de governantes que atendam nossas necessidades para que tenhamos um bom trabalho com as crianças, jovens e adultos.
 
Historicamente há um impasse entre professores e o Governo do Estado, qual o principal ponto do embate?
 
O principal ponto de embate não é um único ponto. São várias as reivindicações que o governo não atende. Aliás, ele não tem atendido a nehuma ultimamente. Se fosse um ponto crucial, estaria ótimo, mas não, ele não atende em nada nossas reivindicações, nem ao menos a data base que é 1º de março. O embate está sendo sempre a cada dia uma surpresa. Agora é sobre atribuição de aulas dos professores que têm uma enxurrada de desabores em relação a essa questão e o governo não respeita o acúmulo de cargo. Não respeita a liberdade de cátedra e os embates são muitos, eu não posso dizer que tem um único ponto crucial.
 
Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br
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