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Seg, 02 de Setembro 2019 - 17:17

Professores investem dinheiro do próprio bolso e criam 'projeto de honestidade' em SP

Por: Liliane Souza, G1 Santos

 
Na Escola Estadual Afonso Schmidt, em Cubatão, os alunos são responsáveis por pagar e recolher o troco dos produtos adquiridos na cantina – sem a supervisão de funcionários.
 
Professores de uma escola de ensino médio em Cubatão (SP) se mobilizaram para criar um projeto em que os próprios alunos ficam responsáveis por comprar e devolver o troco da cantina. Para viabilizar o projeto, foram ministradas aulas de honestidade e os alunos passaram por um processo de convencimento, já que no início nem eles acreditavam que pudesse dar certo.
 
A ideia surgiu depois que os alunos da Escola Estadual Afonso Schmidt ficaram sem cantina. O professor de geografia e sociologia Clovis Ancelmo, de 36 anos, explica que os então responsáveis pelo espaço decidiram se desligar e, como a cantina está com infiltração, não é possível elaborar uma licitação para que uma nova empresa assuma o comando.
 
A partir destes fatores, ele decidiu recorrer a uma ação comum na Inglaterra, onde ele morou por um ano. A ideia era que os alunos pudessem passar por uma espécie de autoatendimento, pagando pelos produtos sem a supervisão de um funcionário.
 
As professoras Joanice Aparecida Alves de Souza, de 41 anos, da disciplina de arte, e Rosane de Cassia do Nascimento, de 63, de educação física, também decidiram se mobilizar para colocar o projeto em prática e, assim, nasceu o Pegue e Pague.
 
Como o nome já sugere, é preciso apenas escolher o produto, pagar e, se for o caso, pegar o próprio troco. Pipocas, paçocas, salgadinhos e balas estão entre os itens à disposição dos alunos.
 
Após formatar o projeto, a segunda parte foi 'vender' a ideia. Clovis Ancelmo conta que, no início, nem os alunos acreditavam que pudesse dar certo.
 
"O objetivo do projeto é trabalhar a honestidade, mas colocamos metas. O lucro que a cantina gerar vai ser para comprar coisas que eles precisam. A primeira meta é comprar um micro-ondas", diz o professor.
 
Para a diretora da escola, Odete Pereira, o projeto, inaugurado no dia 31 de maio, vai além de disponibilizar produtos para que os alunos possam comer no intervalo. Ela destaca que o objetivo é mostrar a importância do respeito. "É para trabalhar a questão da ética, do comportamento cidadão. Do pertencimento, cuidado com o outro".
 
'Honestidade'
A preparação dos alunos foi feita por meio de aulas sobre honestidade, com o intuito de estimular os jovens a refletirem sobre a importância da aplicação de princípios éticos e de regras de conduta moral.
 
Ao lado dos produtos, há frases como 'obrigado por ser honesto', 'eu confio em você' e 'ser honesto é ter autoconfiança'.
 
Para a compra dos alimentos, cada um dos três professores investiu R$ 100. Parte do dinheiro arrecadado a cada semana é utilizado para reabastecer a cantina e o lucro será revertido na compra de um micro-ondas. Ao final de cada mês, será afixada uma tabela de prestação de contas, informando quanto foi gasto e quanto foi arrecadado.
 
"O projeto está funcionando certo, mas ainda estamos construindo as planilhas. Houve diferenças pequenas, mas ainda achamos que é por troco errado, pois esse trabalho é contínuo e, se houver problemas, iremos usar para corrigir as possíveis falhas dos nossos adolescentes", finaliza o professor.
 
Investimento inicial para a compra dos produtos foi feito pelos próprios professores — Foto: Divulgação
 
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