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Seg, 18 de Dezembro 2017 - 18:14

As mulheres na linha de frente da resistência ao golpe na educação

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    O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou por 19 votos a 3 a Base Nacional Comum Curricular apresentada pelo MEC apenas para a educação infantil e o ensino fundamental, fragmentando a educação básica e desconsiderando as contribuições e críticas de toda a sociedade brasileira durante o processo anterior, conduzido pelo governo legítimo e mesmo no processo de consultas realizado pela comissão especial do CNE.

    O CNE virou as costas para a educação brasileira. Uma votação vergonhosa, na qual, novamente, as mulheres demonstraram coragem, coerência e compromisso com o futuro do país. As Conselheiras Márcia Ângela da Silva Aguiar, Malvina Tania Tuttman e Aurina de Oliveira Santana merecem todos os nossos cumprimentos. Na primeira sessão de votação, pediram vista no processo, defendendo a necessidade de maior debate, consultas à sociedade, enfim, a construção de uma Base Nacional Comum Curricular de forma democrática, participativa, responsável. Nesta segunda sessão, votaram contra o texto autoritário do governo golpista.

    O documento aprovado é excludente e fragmenta a educação básica, jogando no lixo todos os avanços educacionais recentes. Ele trata apenas da educação infantil e do ensino fundamental, deixando de lado o ensino médio e as modalidades de ensino. Na prática, impõe como base curricular do ensino médio a “reforma” que Temer enfiou goela abaixo dos brasileiros com a Medida Provisória 746, amplamente rejeitada e acatada pelos seus apaniguados no Congresso Nacional.

    Por isso destaco a coragem dessas mulheres. O pedido de vista, de saída, representou uma tomada de posição frente ao que estava programado para ser aprovado ainda no dia 7 de dezembro. O pedido de vista desestabilizou naquele momento uma agenda de aprovação da BNCC a toque de caixa.

    Parabéns, combativas e corajosas mulheres! Vocês três mostraram que a firme convicção produz atos de desprendimento e de coragem. E mostraram que nós, mulheres, sempre estamos preparadas para agir com destemor quando defendemos um ponto de vista.

    Imaginem o que é estar em um órgão de governo manipulado por golpistas, com grande componente persecutório em suas atitudes e, ainda assim, defender um entendimento diverso daquele que o status quo espera. Elas se recusaram a abonar um procedimento pré-definido. Ousaram subverter, ainda que por um momento, a lógica que estava imposta, deixando evidente para toda a sociedade a manobra golpista arquitetada em gabinetes sobre um tema que é de fundamental importância para as filhas e os filhos da classe trabalhadora e para a sociedade brasileira como um todo.

    Nós, da APEOESP, nos mobilizamos e continuaremos a nos mobilizar contra mais este golpe. Estivemos presentes nas duas sessões do CNE para dizer não a esta BNCC. Vamos à Justiça, vamos nos mobilizar, não acataremos esta base curricular construída contra todos nós, educadores, estudantes, pais e todos os profissionais da educação, enfim, contra a educação brasileira.
 

Maria Izabel Azevedo Noronha – Bebel
Presidenta da APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo) 

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