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Qua, 22 de Maio 2019 - 17:52

Mãe de vítima de massacre do Realengo visita escola Raul Brasil dois meses após ataque: 'Não podemos deixar de falar do caso'

Por: Maiara Barbosa e Gladys Peixoto, G1 Mogi das Cruzes e Suzano

 
 
 
Para Adriana Silveira, continuar abordando o assunto é uma forma de evitar mais mortes dentro de escolas. Ela perdeu a filha Luiza Paula da Silveira no massacre de 2011, no Rio de Janeiro, e desenvolve trabalho sobre bullying.
 
Oito anos depois de perder a filha no massacre em uma escola do Realengo, no Rio de Janeiro, Adriana Silveira visitou nesta terça-feira (21) a Escola Raul Brasil, em Suzano, que foi palco para um ataque parecido há pouco mais de dois meses. A ação covarde deixou dez mortos, entre vítimas e assassinos, no dia 13 de março.
 
"A gente não pode deixar de falar do caso. É necessário isso para que nunca mais aconteça. Para que seja feito um trabalho de prevenção. Não podemos perder vidas dentro das escolas", diz Adriana.
 
Presidente da Associação "Os Anjos de Realengo", Adriana conversou com sobreviventes de Suzano. A primeira parada foi a sede do Projeto Social Sciences, no bairro Miguel Badra Baixo.
 
"Eles precisam se unir, se isolar não é legal. Lá, nós nos unimos e viramos uma grande família. É preciso força para recomeçar. Não podemos deixar que a violência e o ódio vençam o segredo da vida, que é o amor."
 
Na sede do projeto, Adriana conheceu a professora Jussara Aparecida de Melo. Ela dava aulas de espanhol no Centro de Línguas da Raul Brasil, em Suzano, no momento do massacre.
 
A professora afirma que não pretende voltar para a escola, mas que o encontro ajudará na superação da tragédia. "É impossível esquecer. Acho que nunca vou esquecer. Conversar com a Adriana está suavizando. São dores diferentes, mas parte do meu coração ainda está na escola. Eu estou dividida. Parte quer ficar, parte não quer mais entrar. Eu não consigo mais entrar em uma sala de aula. Estou fazendo tratamento."
 
Adriana disse que desde que soube do massacre tinha vontade de ir a Suzano. "Eu sei o que eles estão passando, eu senti na minha pele. Eu sei quanto é difícil para professor, aluno e para quem perdeu, eu sendo mãe de vítima fatal. Eu quis vir aqui e ser solidária à dor deles e mostrar que eles não estão sozinhos nessa luta."
Campanha
 
Adriana Silveira perdeu a filha Luiza Paula da Silveira no massacre de Realengo, no dia 7 de janeiro de 2011. Doze crianças morreram e 13 ficaram feridas, todas com idades entre 12 e 14 anos. Na tentativa de evitar que mais famílias vivam essa dor, a mãe faz um trabalho nas escolhas de prevenção ao bullying.
 
Nesta iniciativa, ela conheceu uma menina de 5 anos, com sobrepeso, que estava depressiva por causa do bullying e, então, decidiu escrever o livro "Meu Anjo Luiza". Trezentos exemplares foram deixados na ONG Science e na Escola Raul Brasil nesta terça para distribuição.
 
"Eu fiquei chocada. Resolvi fazer um livro infantil e uma homenagem a minha filha, agregando valores. Com os pequenos não devemos falar sobre violência e bullying porque não vão compreender. Mas podemos falar sobre o amor ao próximo e o respeito."
 
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