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Observatório da Violência

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Qua, 30 de Outubro 2019 - 15:49

Mães e estudantes fazem protesto para denunciar casos de bullying em escola estadual de Suzano

Mirielly de Castro e Paula Moreira - Diário TV - 29.10

 
 
Segundo as mães, uma criança negra e a outra autista estão entre as vítimas da discriminação.
 
Diretoria de Ensino de Suzano informou que os pais dos alunos foram chamados e um supervisor vai apurar a situação.
 
Estudantes e mães de alunos protestaram nesta terça-feira (29) para denunciar casos de bullying dentro da Escola Estadual Euclides Igesca, no distrito de Palmeiras, em Suzano. Entre as vítimas, segundos pais, estão uma criança autista e uma negra. Diretoria Regional de Ensino informou que um supervisor foi para escola e uma apuração vai ser aberta para analisar o caso.
 
O ato foi organizado após uma aluna de 10 anos mudar os hábitos e não querer mais ir à escola há duas semanas.
 
"Ela começou a ficar nos cantos, passou a chorar, ficar em frente à televisão penteando a boneca. Ao mesmo tempo, eu via que ela não estava brincando de boneca e nem assistindo à televisão. E aí ela pediu para a irmã dela puxar o cabelo dela para trás e chegou até a pedir para eu fazer progressiva", conta a mãe, Daiane dos Santos Faustino de Toledo.
 
A mãe e a irmã conversaram bastante com a menina, mas que só contou o que estava acontecendo depois de ir ao psicólogo. Kathelyn dos Santos Faustino de Toledo, irmã da vítima, diz que ela estava sofrendo o preconceito de quatro alunos da sala dela.
 
"Eles falavam que o cabelo dela era duro, que a cor da pele era feia. Que a minha mãe era feia, e que ela parecia um mico-leão-dourado, porque o cabelo dela é claro", diz.
 
A dona de casa Aline Gonçalves conta que em 2017 tirou o filho da mesma escola, porque o menino, que na época tinha 10 anos, também sofria preconceito e a direção era omissa.
 
"Ele é alérgico, os olhos dele ficam muito vermelhos, a pele dele descascava bastante. Nisso, na sala de aula e a convivência com os amigos sempre surgiram piadinhas. Eu sempre levando o assunto para a escola, e eles dizendo que iriam resolver. Como eu vi que por dois anos eu estava lutando em vão, eu preferi tirar os meus filhos da escola", diz.
 
Outra mãe, que preferiu não se identificar, afirma que comunicou à direção da escola as agressões que a filha autista vem sofrendo na unidade. "Ela tem 15 anos, e a mentalidade dela é de cinco, seis anos. Então ela é chamada por vários nomes feios, que ela não entende. Ela fica sempre no cantinho, e eles ficam abusando, puxando o cabelo, mexendo com ela", relata a mãe.
 
O protesto das mães chegou a fechar a rua e entrar na escola. O diretor da unidade de ensino não quis falar com a reportagem do Diário TV.
 
A Polícia Militar foi acionada. Um boletim de ocorrência foi registrado pela família da criança de dez anos como injúria.
 
"Isso está acontecendo e ninguém faz nada. Quanto mais as pessoas ignoram, mas cresce. É isso que a gente está tentando fazer: acabar com o racismo na Igesca", diz a estudante Ana Beatriz de Almeida.
 
A Diretoria Regional de Ensino informou que os responsáveis pelos alunos envolvidos no caso foram acionados e compareceram para uma reunião. Um supervisor foi para escola e uma apuração vai ser aberta para analisar o caso.
 
A diretoria disse também que todas as escolas trabalham com a resolução de conflitos com foco no respeito ao próximo, e que neste mês foi lançado um programa que busca identificar a vulnerabilidade de cada escola para a implementação de um método de melhoria de convivência escolar.
 
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