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Observatório da Violência

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Qui, 10 de Outubro 2019 - 17:45

OAB de Mogi leva orientações sobre bullying às escolas; delegado comenta os crimes

Ana Carolina Oliveira e Debora Carvalho, Diário TV 1ª Edição - 09.10

 
 
Brasil é o país com o maior número de estudantes que deixam de ir à escola por conta das agressões físicas e verbais, aponta pesquisa.
 
Uma comissão da Ordem dos Advogados do Brasil leva informações para conscientizar estudantes de Mogi das Cruzes sobre o cyberbullying. Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância apontou que o Brasil é o país em que mais alunos faltam à escola depois de sofrer a discriminação, ameaça ou perseguição na internet.
 
Os estudantes da Escola Estadual Gabriel Pereira, em Mogi, já foram vítimas ou conhecem alguém que já sofreu bullying. Por isso se atentaram ao que diziam os palestrantes no pátio da escola.
 
A estudante Rafaelli Santos Vieira, de 13 anos, diz que uma menina era chamada de gordinha na escola. "Eles faziam músicas sem graça de diminuía a autoestima dela. Só que ela guardou para ela mesma e só falou quando tinha acabado com tudo", relata.
 
A estudante Yasmin de Oliveira Peterson sofreu esse tipo de violência dentro da escola e ainda carrega a memória do que sofreu.
 
"Eu tinha 8 anos e elas me batiam, me davam apelidos, chamavam de gorda, feia. Eu não sabia certamente o que era, mas aquilo me machucava muito.
 
O foco da palestra foi trazer conhecimento sobre bullying e cyberbullying, além de explicar a parte jurídica para a turma. A atividade faz parte do projeto "Comissão OAB Vai à Escola", realizado pela ordem de Mogi. Desde que a comissão foi criada, em 2016, já foram realizadas várias palestras nas unidades de ensino.
 
"Teve um caso em uma escola, logo no começo, que estava muito calor e ela com uma blusa cumprida. A gente achou estranho aqui. Terminamos a palestra, conversando com a mediadora levantei o caso dessa menina, fizemos todo um trabalho com ela. Depois voltamos à escola ela estava com uma manga curta, e deu para a gente ver as marcas da automutilação", relembra o presidente da comissão, o advogado Fábio Camargo.
 
A coordenadora da escola, Leila Franco, conta que foram os próprios alunos que escolheram o tema da vez, e sabe que é necessário falar sobre isso com os jovens.
 
"Nós estamos em vivência em que a violência está muito em alta, difícil de lidar. Então é importante até na aprendizagem dos alunos, que acaba influenciando e trazendo problemas para a escola", pontua.
 
Segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, um a cada dez alunos brasileiros é vítima de bullying e os casos geralmente acontecem no ambiente escolar.
 
Outro levantamento realizado no mundo inteiro pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostrou que cerca de 150 milhões de jovens, com idades entre 13 e 15 anos, já foram vítimas de violência pelos próprios colegas. Para diminuir esses números, a informação em sala de aula é essencial.
 
Se muitas vezes as marcas do bullying ainda permanecem na vida de quem já foi vítima disso, o cyberbullying é uma extensão da prática. Só que no meio virtual e que pode ultrapassar qualquer fronteira física, tanto que quando o estudante Vitor Santana estava jogando na internet foi alvo desse assédio virtual.
 
O estudante Vitor Santana, de 13 anos, foi vítima dessa violência enquanto jogava online. "Entrou uma pessoa que eu não conhecia e passou a me xingar, fazer racismo comigo, palavrão, tanto até que eu saí e comecei a chorar depois", disse.
 
Ainda de acordo com a pesquisa da Unicef, 37% dos brasileiros que participaram afirmaram já ter sido vítimas de cyberbullying. As redes sociais foram apontadas como espaços online onde mais ocorrem casos de violência entre jovens no país.
 
Outro dado é que 36% dos adolescentes deixaram de ir à escola após ter sofrido bullying online de colegas de classe, tornando o Brasil o país com o maior percentual nesse quesito da pesquisa.
 
No ano passado, o Diário TV contou a história de vítimas de cyberbullying, que foram atacadas nas redes sociais por um grupo de meninos que estudava no mesmo colégio.
 
O presidente da comissão explica que o bullying é um problema que a sociedade vem enfrentando há muito tempo. "De acordo com a demanda desses alunos, nós preparamos um material bem didático com números e gráficos mostrando o a gravidade e amplitude do bullying na sociedade atual", destacou Fábio Camargo.
 
As escolas de Mogi que se interessarem pelas palestras da comissão da OAB podem ligar no 4799-2988.
 
Crime
Outubro é o Mês Mundial de Combate ao Bullying e, de acordo com dados de 2018 do Instituto Ipsos, 21% dos entrevistados brasileiros afirmaram que nunca ouviram falar do termo cyberbullying.
 
O delegado Eliardo Jordão explica que é necessário explicar que bullying é a agressão física e verbal contra uma pessoa, em que o agressor se sente superior à vítima e a agressão é de forma sistemática, fazendo com que a vítima mude o seu comportamento.
 
"O cyberbullying é toda essa prática na internet, mensagens de texto e isso, invariavelmente, tem consequências seríssimas, como depressão e até suicídio", detalha.
 
O delegado explica que mesmo com os agressores tentando se esconder pela internet, a polícia consegue descobrir. "O primeiro passo é levar ao conhecimento das autoridades, registrar o boletim de ocorrência e a partir daí a gente começa um trabalho investigativo", conta.
 
No caso de menores como os praticantes de bullying, é formalizada uma investigação e encaminhada para a Vara da Infância e da Juventude e ele pode ser responsabilizado pelo ato, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
 
Já nos casos fora da internet, o delegado orienta os pais a conscientizarem os filhos e, uma vez contatados, procurar ajuda. "Seja por um profissional da educação, polícia, Conselho Tutelar e aí eles serão orientados sobre o que fazer", disse.
 
Jordão conta que há quatro anos a Polícia Civil tem visitado as escolas de Itaquaquecetuba para levar conscientização tanto às crianças e adolescentes quanto aos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
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