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Observatório da Violência

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Ter, 23 de Abril 2019 - 18:28

PM ouve bombinhas e usa spray de pimenta contra 50 alunos em escola

Plínio Aguiar, do R7 - 19.04

 
Ação ocorreu na Professor Manoel Tabacow Hidal, em Pedreira, na zona sul de SP. Agentes de segurança afirmam ter escutado disparos de bombinhas
 
Policiais militares usaram spray de pimenta para conter 50 estudantes de uma escola estadual de São Paulo, na quinta-feira (11), na zona sul da cidade. Na ação, ninguém ficou ferido e um aluno foi levado para a delegacia.
 
Naquela ocasião, policiais militares disseram que, durante visita de rotina na escola estadual Professor Manoel Tabacow Hidal, em Pedreira (zona sul de São Paulo), ouviram uma explosão no interior de uma sala de aula e entraram no local "acompanhados do diretor da instituição". Segundo a PM, os estudantes haviam disparado artefatos juninos, as populares bombinhas.
 
Um dos alunos foi identificado como autor da explosão e, segundo o relato policial, reagiu à abordagem do agente. Imagens gravadas por celulares mostram confusão e correria na escola. Para conter a situação, os policiais usaram o que chamam de "técnica de controle de distúrbio", o spray de pimenta, em 50 estudantes.
 
Procurada pela reportagem, a presidente do Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Maria Izabel Azevedo Noronha, diz não concordar com a ação da PM. "Houve disparo de bombinha em lugar incorreto, ok. Todo mundo fica assustado, ainda mais com o acidente de Suzano. Mas reagir com spray de pimenta? Não. É um absurdo", argumenta.
 
Segundo Noronha, "é por essa ação" que o sindicato não defende a atuação de policiais militares dentro de instituições escolares. "A gente quer professor mediador, equipe multidisciplinar, e não PM para jogar spray na cara dos nossos alunos", conclui.
 
A Secretaria de Estado da Educação afirmou, por meio de nota, que dois alunos foram identificados como autores da ação. "Os responsáveis pelos estudantes foram chamados e um boletim de ocorrência foi registrado", escreveu.
 
Após o fato, a instituição acionou os envolvidos e respectivos responsáveis para esclarecimentos. "Alunos do grêmio estudantil, juntamente com os líderes de turma, professores e direção, intensificaram atividades pedagógicas com foco na cultura de paz."Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) disse que a ação foi acompanhada pelo diretor e por uma professora, ambos ouvidos posteriormente na delegacia. "O estudante foi conduzido ao 80° DP (Vila Joaniza), onde prestou depoimento na presença do pai e foi liberado mediante assinatura de termo de compromisso", acrescentou. O caso registrado como um ato infracional de desobediência e encaminhado à Vara da Infância e Juventude.
 
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