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Observatório da Violência

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Sex, 27 de Setembro 2019 - 16:38

Podcast debate violência e indisciplina na sala de aula

Fábio Takahashi - Folha na Sala - 24.09 -

 
 
Folha na Sala debate violência e indisciplina
 
Episódio de estreia ouve especialistas sobre problema comum aos professores
 
A indisciplina é um dos grandes desafios do professor em sala de aula. Segundo uma pesquisa da OCDE (Organização dos Países Desenvolvidos), 50% dos professores brasileiros dizem que são muito interrompidos durante as aulas e quase 20% do tempo gasto em sala no País é usado para controlar os alunos. 
 
O clima escolar brasileiro é um dos piores entre os países avaliados.
 
Em Heliópolis, na periferia de São Paulo, uma experiência pioneira implementou ideias da Escola da Ponte, em Portugal, e conseguiu reverter um quadro de violência. A escola se integrou com a comunidade e implementou medidas para aumentar a participação de alunos e professores na gestão da instituição.
 
A escola municipal Campos Salles fica em Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo. A maior favela da capital paulista já foi um dos lugares mais violentos da cidade. Ela poderia ser só mais uma escola comum, porém uma nova proposta pedagógica a transformaram em referência, sendo tema de estudos e pesquisas no Brasil e no exterior.
 
Segundo a coordenadora pedagógica Jéssica Martins, "a questão da violência era muito forte. Eram basicamente 3 ou 4 brigas por dia dentro da escola".
 
"Então já entendemos que algo precisaria ser feito para controlar isso", explica. A escola derrubou os muros para se integrar à comunidade, deu voz aos alunos e professores, implementando as ideias da Escola da Ponte, em Portugal. Hoje, os episódios de violência foram reduzidos a 0.
 
As salas de aula não são como nas outras escolas, com carteiras enfileiradas e o professor na frente com a lousa. Eles chamas essas novas salas de 'salões de aula'; são bem amplas e iluminadas, com mesas quadradas espalhadas. Cerca de 75 crianças da mesma faixa etária sentam em grupos. Estes grupos estudam juntos, seguindo um roteiro de estudo com conteúdo para discussões, pesquisas e exercícios.
 
Os professores são 3 por salões de diferentes disciplinas e só intervém quando são chamados, porém há uma regra para chamá-los: Se os alunos têm alguma dúvida, eles perguntam primeiro para os colegas de grupo; se ninguém souber como responder, ele levantam a mão e o professor vem ajudá-los.
 
É um formato para que o aluno adquira conhecimento, um modo para que ele fique apenas esperando a resposta. Além disso, evita que o professor fique parado, só escrevendo.
 
"Nós temos a comissão mediadora de conflitos em cada salão, apresentando propostas. No início do ano, há eleição para escolher os dez estudantes que vão representar a turma e que farão parte desta comissão. Eles chamam estudantes que causam conflitos para uma reunião, na qual um faz o registro e o outro estudante coordena", explica a coordenadora pedagógica Jéssica Martins.
 
Esta reunião segue seis passos: o primeiro é o objeto de fala, segurando uma caneta ou lápis. No segundo passo, o problema é levantado; em seguida, eles fazem um convite à reflexão. O quarto passo, é uma rodada de qualidades. Cada presente à sessão fala uma qualidade daquele aluno, que então assina um termo de compromisso. Ele é chamado depois de 15 dias para mostrar que está cumprindo o acordo. No fim da reunião, cada aluno conta o que significou o encontro para si.
 
O podcast traz ainda uma entrevista com Luciano Campos, professor da Universidade federal de Ouro Preto, que pesquisa indisciplina escolar.
 
"Não há uma única forma de agir para se prevenir ou combater indisciplina, então falamos sempre em um conjunto de ações. Temos ações ao nível da sociedade e das políticas públicas, ou seja, é preciso que a sociedade brasileira apoie o professor, não deixando que a autoridade dele dependa só das suas capacidades pessoais. É necessário que a sociedade dê apoio ao professor. Nós temos ações que são do nível da instituição escolar, ou seja, o que a escola pode fazer. Muitos estudos têm mostrado que a escola deve ser uma instituição com regras mais claras, que estejam mais próximas dos estudantes, que tratem eles com mais respeito, sem discriminação, que faça os estudantes participarem da vida escolar, mas também que seja uma escola que os responsabilize por aquilo que eles façam errado dentro da escola. Essa é uma dimensão pouco discutida. O estudante também deve ser responsabilizado", ensina Luciano Campos.
 
Ouça na íntegra o Podcast Folha na Sala:
 
https://www1.folha.uol.com.br/podcasts/2019/09/podcast-folha-na-sala-debate-violencia-e-indisciplina-na-sala-de-aula.shtml
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