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Observatório da Violência

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Seg, 09 de Março 2020 - 16:35

Professora é agredida e colegas fazem campanha contra violência em escolas de Pindamonhangaba

G1 Vale do Paraíba e Região

 
 
Educadora relata que agressões foram feitas por mãe de aluno após a docente pedir que ele calçasse o chinelo na aula. Episódio serviu para que docentes fizessem um ato contra violência.
 
A agressão sofrida por uma professora em uma escola municipal de Pindamonhangaba (SP) gerou uma campanha de educadores contra a violência. A docente, de 61 anos que trabalha na escola municipal Regina Célia Madureira de Souza Lima, foi agredida pela mãe de um aluno na terça-feira (3). Professores de toda a cidade foram trabalhar vestidos de preto nessa sexta-feira (6) como forma de protesto contra a violência.
 
De acordo com a educadora, que preferiu não ter o nome verdadeiro revelado, o episódio teve início com um pedido para que um aluno, filho da agressora, colocasse os chinelos porque estava descalço dentro de sala de aula.
 
Ela explica que estava em aula com os alunos do 4º ano do ensino fundamental e repreendeu o aluno. Ele se recusou a calçar o chinelo e ela não insistiu. Após a aula, a professora estava na porta da escola auxiliando os alunos na saída, quando a mãe do garoto a abordou.
 
"Ela já chegou gritando, colocando o dedo no meu rosto e dizendo que eu havia agredido o filho dela. Eu tentei acalmá-la e dizer que isso não havia acontecido, mas ela não escutava. Ela me segurou pelo pescoço, me enforcando e um funcionário da escola entrou na frente para me ajudar, nisso ela rasgou toda a frente da minha blusa, puxando o sutiã junto e me deixou com um seio exposto", contou a professora.
 
A educadora informou que não tem fotos da agressão, mas disse que guardou a blusa que usava e que foi rasgada durante o ataque. "Eu sou professora há 25 anos e nunca havia passado por algo assim, mas eu sinto mais pena do que raiva dessa família. Meu aluno foi o maior prejudicado, tinha uma certa dificuldade de aprendizagem e eu estava conquistando a confiança dele e ele já apresentava uma evolução na escola, mas agora vai precisar recomeçar em outro lugar", afirmou.
 
Mobilização
 
Quem deu início à mobilização dos professores para a ação foi a docente Erika Cândido. Ela é professora há mais de 16 anos e diz que os casos de violência têm aumentado nas escolas.
 
"Nós ficamos todos chocados e infelizmente todos nós professores estamos vulneráveis a situações como essas, porque a sociedade não respeita mais o professor e os casos de agressão só vão aumentando. Se você cobra o aluno de fazer uma tarefa ou de fazer silêncio, os pais já vêm reclamar, ficam violentos", afirmou.
 
A ideia de fazer o protesto surgiu para coibir que situações como essa se repitam. "Essa é uma situação errada, que não pode mais existir. A gente tentou transformar esse caso triste, em uma forma de conscientizar a comunidade escolar e nos proteger, porque nós estamos desamparados e não são todos que têm coragem de denunciar".
 
As imagens da mobilização também foram postadas em redes sociais por professores.
 
O que diz a prefeitura
 
Em nota, a prefeitura informou que já abriu processo para apuração dos fatos e que repudia qualquer agressão, seja verbal, física ou psicológica, a seus profissionais e a qualquer outro cidadão. Ainda segundo a prefeitura, a professora terá acompanhamento psicológico.
 
A administração informou ainda que a secretaria de educação e a direção da unidade escolar se reuniram com a mulher que agrediu a professora para averiguação dos fatos e a melhor solução encontrada foi a transferência do aluno e de um irmão dele para outra unidade escolar. A transferência já foi concluída e os alunos já começaram a frequentar a nova escola.
 
O retorno da professora para a escola está previsto para a próxima semana. A prefeitura informou também que no período de ausência da professora titular, a secretaria de educação destinou outro professor para ministrar aulas, não acarretando em prejuízos na aprendizagem.
 
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