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Observatório da Violência

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Qua, 20 de Dezembro 2017 - 16:51

Violência se alastra em 100% das escolas do ABC

Bruno Coelho - Repórter Diário - 15.12

 
 
Os atos de violência a professores e funcionários em escolas públicas é uma realidade consolidada no ABC. Segundo pesquisa realizada pelo Observatório de Educação do Grande ABC, da USCS (Universidade de São Caetano do Sul), as agressões físicas e verbais de estudantes aos profissionais pedagógicos foram registradas em todas as 544 unidades educacionais nas esferas estaduais e municipais, nos ensinos fundamentais I (1º ao 5º ano) e II (6º ao 9º ano).
 
Baseado no Censo Escolar de 2015, o mapa da violência nas escolas é um dos temas da terceira edição do livro Avaliação da Educação Escolar no Grande ABC. Por meio de um levantamento, professores e funcionários das unidades foram questionados se sofreram algum tipo de ataque físico ou verbal.
 
Segundo o docente dos cursos de pós-graduação da USCS e coordenador do Observatório, Paulo Sérgio Garcia, o contexto da violência é o maior destaque desta edição do estudo, que também aborda a inclusão social das escolas e seus desempenhos pedagógicos. “O que a gente observou é que a violência está mais presente nas escolas estaduais e no ensino fundamental II”, pontua.Pelo
 
Censo Escolar 2015, Santo André, por exemplo, conta com 86 escolas estaduais e 50 unidades municipais. De acordo com o levantamento, 63% dos profissionais de ensino sofreram algum tipo de ataque por estudantes na rede estadual, enquanto tal percentual nas unidades municipais é de 43%. Por sua vez, São Bernardo registra, na mesma ordem, percentuais de 77% (nas 72 escolas estaduais) e 60% (77 municipais).
 
Embora tenha o maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil, São Caetano também apresenta dados preocupantes nas salas de aula. Segundo a pesquisa, 100% dos profissionais da educação afirmaram que sofreram ataques de alunos nas 10 escolas estaduais, enquanto o percentual nas 20 unidades municipais é de 65%. “Apesar de a cidade ter um índice socioeconômico alto, o índice de Gini, que mede a desigualdade social, também é elevado”, explica o docente.
 
Com 72 escolas estaduais e 28 municipais, Diadema registra 55% e 33%, respectivamente, de professores e demais funcionários que sofreram algum tipo de violência verbal e física. Em Mauá, 100% dos profissionais das 16 unidades municipais relataram que foram de agressões no meio escolar, enquanto que nas 64 escolas estaduais, o percentual é de 56%.
 
Ribeirão Pires tem cenário agravado nas 29 escolas estaduais, onde o índice é de 63%, ao mesmo tempo em que as nove escolas municipais, 29% confirmaram ocorrência de hostilidades de alunos. Na vizinha Rio Grande da Serra, onde há apenas as 11 unidades de ensino gerenciadas pelo Estado, 73% da mão de obra sofreram ofensas ou agressões físicas de estudantes.
 
Ausência da família
 
Garcia pontua que o fenômeno da violência tem diversas raízes, que também adentram as salas de aula. “Na opinião dos gestores escolares, um dos pontos é a ausência da família (no processo educacional). Temos outra categoria indicada que é o distanciamento entre a cultura juvenil e a escola. Além disso, a falta de professores, que a gente chama de abstencionismo. E a própria violência social em geral”, pontua.
 
O levantamento também evidencia outros aspectos graves da violência nas escolas, como incidências de alunos nas dependências escolas com porte de arma de foco e brancas (facas e canivetes). Também há registros de uso de drogas ilícitas, bebidas alcoólicas e situações de roubos ou furtos nas unidades públicas de ensino, tanto estaduais como municipais.
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