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Qui, 21 de Outubro 2021 - 16:36

PESQUISA APONTA QUE TRÊS EM CADA QUATRO DOCENTES JÁ PRESENCIARAM DISCRIMINAÇÃO NO ENSINO FUNDAMENTAL

Realizada pela Associação Mulheres pela Paz e pelo DataFolha, pesquisa será divulgada no próximo dia 30/10, durante Seminário de Formação. Saiba como se inscrever.

TRÊS EM CADA QUATRO DOCENTES JÁ PRESENCIARAM
DISCRIMINAÇÃO NO ENSINO FUNDAMENTAL

Pesquisa Datafolha com docentes do estado de São Paulo mostra as formas implícitas e explícitas da discriminação no cotidiano das escolas públicas

      A discriminação é uma realidade no ambiente escolar, estando presente em maior ou menor grau nas várias dimensões de vivência de docentes e estudantes. As vítimas apresentam uma frequência variada. Os mais diferentes estereótipos culminam em atos e falas explícita ou implicitamente preconceituosas, que podem levar até à evasão escolar e abandono da docência. A pesquisa mostrou, por exemplo, que três em cada quatro docentes já presenciaram discriminação no ensino fundamental; 53% dos docentes já presenciaram casos de evasão de estudantes em razão de discriminação; 50% dos/as docentes já foram vítimas de discriminação [entre docentes pretos/as e pardos/as, o índice é de 60%]; 39% dos/das docentes nunca participaram de capacitação específica para lidar com práticas discriminatórias. Esse é o quadro mais geral do levantamento realizado junto a docentes do Ensino Fundamenta l I e II de cidades paulistas, entre elas as quatro mais populosas do Estado – São Paulo, Guarulhos, Campinas e São Bernardo do Campo. Também participaram docentes de Andradina, Catanduva, Diadema, Francisco Morato, Marília, Mauá, Pindamonhangaba, Ribeirão Preto, Santos, Sorocaba e Suzano. Especialistas no assunto foram ouvidos na fase qualitativa da pesquisa.

      A pesquisa intitulada Percepção de docentes sobre a reforço de estereótipos discriminatórios na prática do ensino fundamental público, foi realizada pelo Datafolha, a pedido da Associação Mulheres pela Paz, ONG fundada em 2003, voltada para a equidade de gênero e suas interseccionalidades. O apoio é da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, por meio de uma emenda parlamentar da deputada federal Luiza Erundina. A publicação, contendo os resultados da pesquisa e textos de apoio ao assunto, será lançada em um seminário virtual de formação no dia 30/10/2021, sábado, das 9h às 12h.

      A escola pode reforçar estereótipos – sexistas, racistas, LGBTfóbicos, gordofóbicos, etc. –, mas é também um espaço privilegiado para a desconstrução das discriminações. Entre as evidências da pesquisa, destaca-se o fato de que não há como a escola sempre estar preparada, mas há como a escola sempre estar ativa e trabalhando para encontrar caminhos, para ser sempre um ambiente plural e democrático, onde se respeita porque se é respeitado e onde se educa integralmente, não apenas na transmissão de conhecimentos de um leque de disciplinas. Ficaram apontadas como principais demandas a necessidade de se trabalhar, concomitantemente, a formação de docentes, seja diretamente relacionada aos temas que suscitam discriminações, seja na atualização de como as disciplinas podem ser lecionadas de forma a contribuir para a desconstrução das discriminações por estereótipos; o estímulo ao diálogo aberto entre estudantes para que eles/elas mesmos/as possam ser agentes da transformação da educação, diante de um tema que tem sido trazido para o ambiente escolar por conta de suas próprias experiências; o alinhamento institucional do sistema educacional e, por fim, a aproximação do diálogo com as famílias e as comunidades.

      Segundo análise de Vera Vieira, coordenadora da pesquisa, “para se avançar no árduo processo de desconstrução cotidiana das discriminações entre as pessoas – principalmente as sexistas, racistas e LGBTfóbicas, já que são os fatores que vão influenciar sobremaneira as assimetrias de poder e oportunidades no transcorrer da vida, impedindo o avanço da luta pela conquista de uma sociedade pacífica, justa e equitativa –, faz-se necessário identificar e trabalhar as barreiras invisíveis que influenciam o dia a dia nas principais rede de relações, como a escola, a família, a igreja, as mídias, levando em conta principalmente os vieses inconscientes, que são as barreiras invisíveis dos preconceitos. Além das desigualdades de poder e oportunidades entre as pessoas, tais assimetrias são responsáveis por estatísticas1 assustadoras de violência contra mulheres e meninas (agressões, estupros, assassinatos, feminicídios), incluindo os recortes de raça e identidades de gênero nessas vítimas”.

      Ninguém nasce com preconceito e com tendência à discriminação. Trata-se de uma construção social, que é reforçada pela cultura e vem sendo mantida historicamente, nos diversos âmbitos da vida pública e privada. Se é uma construção, pode ser descontruída. São as pequenas ações do cotidiano que vão ajudar nesse árduo processo. É pelo trabalho educativo, que transforma seres humanos em agentes políticos, que se consegue alterar os condicionamentos provocados por mitos e imagens presentes nos vieses inconscientes, com a certeza da capacidade de reflexão das pessoas.

 

30/10/2021, das 9h às 12h

Seminário virtual de formação e lançamento da publicação

Inscrições: clique aqui

https://mulherespaz.org.br/pre-inscricao-seminario-percepcao-de-docentes-sobre-o-reforco-de-estereotipos-discriminatorios-na-pratica-do-ensino-fundamental/

 

Informações adicionais: associacao@mulherespaz.org.br

Whatsapp: 11 99647-9497, com Vera Vieira

 

  • No Brasil, a cada 20 segundos uma mulher é agredida; a cada 11 minutos uma mulher é estuprada; a cada 2h30 ocorre um estupro coletivo; a cada 2 horas uma mulher é assassinada.
  • O Brasil é o quinto país do mundo com o maior número de feminicídio;
  • O Brasil é campeão do mundo em assassinato de transgêneros;
  • O país é rota de origem, destino e movimentação de pessoas traficadas (com 241 rotas nacionais e internacionais), sendo que 71% das vítimas são mulheres e meninas exploradas sexualmente; 40% das mulheres são chefes de família (34% das famílias havia cônjuge);
  • A jornada semanal de trabalho da mulher é de 53,6 horas e a dos homens de 46,1 (7,5 horas de diferença); acúmulo da tripla jornada (trabalho remunerado, afazeres domésticos e tarefas reprodutivas);
  • As mulheres ganham em média 23% menos do que os homens na mesma função, mesmo com maior número de anos de estudo;
  • A taxa de desemprego de mulheres é de 13,8% e de homens 10,7%;
  • O emprego doméstico é ocupação de 18% de mulheres negras e 10% de brancas;
  • Executivas em altos postos é 10%; na direção e gerências 37%; executivas negras são 4,7%; na direção e gerências são 6,3%.

 

        (Fontes: IPEA, ONU, Ministério da Saúde, IBGE, TRE).

 

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