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Sex, 18 de Novembro 2011 - 12:40

Jornadas do Trabalhador é tema de tese premiada e livro de socióloga do Dieese

O doutorado da socióloga Ana Cláudia Moreira Cardoso começou em 2003, na USP. "O Tempo dedicado ao trabalho e ao não trabalho: vivências e representações dos trabalhadores" ganhou o Prêmio Capes de melhor tese de sociologia em 2008 e foi transformado em livro pela Editora Annablume.

Por: Dra. Ana Cláudia Moreira Cardoso - Socióloga do DIEESE

Jornadas do Trabalhador é tema de tese premiada e livro de socióloga do Dieese

O doutorado da socióloga Ana Cláudia Moreira Cardoso começou em 2003, na USP. "O Tempo dedicado ao trabalho e ao não trabalho: vivências e representações dos trabalhadores" ganhou o Prêmio Capes de melhor tese de sociologia em 2008 e foi transformado em livro pela Editora Annablume.

Supervisora de formação do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Ana Cláudia coordena a campanha da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. A socióloga começou a pesquisa, acompanhando a rotina de trabalhadores da Volkswagen de São Bernardo do Campo, mas trabalhadores do setor público e privado podem identificar-se com a tese.

A análise concentra-se na década de 1995 a 2005, quando foram intensas as mudanças em relação à organização e gestão do tempo de trabalho. A tese se divide em duas partes. A primeira, composta pelos três capítulos iniciais, revisa a literatura internacional sobre os modos de construção social do tempo e do tempo de trabalho. Também é apresentado um debate recente sobre duas experiências contrastantes, a da França e a do Brasil.

Na segunda parte da tese, formada pelos seis outros capítulos, apresenta-se o contexto da Volkswagen do Brasil, com base na análise de material documental e de entrevistas com trabalhadores, dirigentes sindicais e gerentes da empresa; em seguida, analisam-se as vivências temporais cotidianas dos trabalhadores, com base em entrevistas semi-diretivos gravados e diários de usos do tempo.

A pesquisadora chegou à conclusão que os tempos de trabalho e não trabalhos confundiram-se tanto na sociedade contemporânea que os cidadãos não têm perspectiva de fazer algo diferente. Com medo de perder o emprego, muitas vezes, utilizam o tempo livre para se qualificar e, nem sempre, conseguem tirar as férias no período programado.

Já os aposentados não sabem o que fazer com o tempo livre. Alguns ficam perdidos e muitos voltam a trabalhar. Segundo Ana Cláudia, a maioria dos que estão no mercado de trabalho dizem que seu projeto é se aposentar, mas para daqui a 10, 15 anos; ou seja, não há projeto definido.

O Brasil tem uma das maiores jornadas de trabalho do mundo e é aqui que se pode fazer o maior número de horas extras. Além disso, o trabalhador gasta um tempo excessivo no transporte e, não raras vezes, tem que acumular jornada; estudando à noite ou cuidando de afazeres domésticos, no caso da maioria das mulheres.

Em relação às mulheres, Ana Cláudia descobriu também que muitas trabalhadoras da fábrica não tinham tempo de ir ao banheiro e, por isso, começaram a criar o hábito de fazer o mesmo nos finais de semana, o que provocou problemas de saúde. Segundo a autora, esta situação não é exclusiva das linhas de montagem. Gerentes de bancos, secretárias e outras profissionais também tiveram o tempo de trabalho intensificado, tendo que desempenhar tantas tarefas, que ir ao banheiro, tomar água ou falar ao telefone passou a ser considerados 'perda de tempo'.

Adoecimento

Para a pesquisadora, a intensificação da jornada de trabalho pode acarretar um processo de adoecimento, que inclui enfermidades como gastrite, insônia, pressão alta e depressão. Outra conclusão do doutorado de Ana Cláudia é que, apesar de o discurso da inovação tecnológica pregar a liberação do trabalhador, o que ocorreu de fato foi a adoção de uma jornada mais acelerada, com menos pausas e mais tarefas.

"A campanha pela redução da jornada será eterna. As inovações tecnológicas e organizacionais vão continuar e cada vez mais, vamos precisar de menos trabalhadores para produzir mais, com menos tempo. Se todos os trabalhadores ativos do mundo tivessem emprego, a jornada seria de três horas diárias e todos teriam tempo para apropriar-se da riqueza que produzem", conclui Ana Cláudia Moreira Cardoso.

O livro, editado pela Annablume, "Tempos de trabalho, tempos de não trabalho - Disputas em Torno da Jornada do Trabalhador”, custa R$ 47,00.

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