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Teses e Dissertação

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Ter, 26 de Junho 2012 - 15:26

Unicamp publica doutorado de professor de Atibaia sobre o abandono de crianças em São Paulo entre os séculos XIX e XX

Professor de História da rede estadual de Atibaia, José Fernando Teles da Rocha tornou-se doutor em Educação às vésperas do Natal de 2010. Teles da Rocha defendeu na Unicamp seu doutorado, "Do asilo dos expostos ao berçário: Assistência e proteção à criança abandonada na cidade de São Paulo".

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A pesquisa orientada pela Professora Doutora Heloísa Helena Pimenta Rocha aborda a problemática das crianças abandonadas na capital paulista, entre 1896 a 1936.

O trabalho enfoca, mais especificamente, as práticas de assistência e proteção instituídas pela Santa Casa de Misericórdia, como o Asilo dos Expostos, as amas de leite, a Roda dos Expostos, o Berçário e o Lactário.

"As análises tomam como base as reflexões de Michel Foucault acerca do biopoder e biopolítica, para discutir as mudanças, intervenções e transformações ocorridas em São Paulo, bem como as questões relativas à caridade, filantropia e à dinâmica do asilo", explica o pesquisador na apresentação da dissertação.

As fontes de pesquisa são, basicamente, os relatórios escritos pelos administradores do asilo, conhecidos como mordomos dos expostos. Foram analisados ainda jornais e a legislação da época.

"Importante chamar a atenção para o fato de que somente a partir de 1959, com a Declaração Universal dos Direitos da Criança, a criança passou a ser reconhecida e considerada sujeiro de direito. Antes desta data, o abandono dos próprios filhos era tolerado, aceito e até mesmo estimulado, pois se pensava primeiro nos interesses dos adultos e da sociedade", esclarece o autor do doutorado.

A dissertação reúne material muito representativo sobre o abandono de recém-nascidos e o destino das crianças, cujo parto não era desejado. Há recibos de pagamento das amas de leite e também uma detalhada descrição da Roda, instalada na parede da Santa Casa de São Paulo, em julho de 1825.

O instrumento medieval, que teve sua origem na Europa, chegou a ser instalado em 15 cidades brasileiras e entrou para o imaginário popular como a "Roda dos Enjeitados".

Alvo de intensas críticas no início do século XX por facilitar o abandono de crianças, a Roda foi uma solução para "garantir o anonimato de quem abandonava um recém-nascido, para preservar a moral da família, no caso dos bebês gerados de amores considerados ilícitos e, ainda evitar que as crianças fossem deixadas em locais públicos, onde as chances de sobrevivência seriam menores", de acordo com a dissertação de Teles da Rocha.

Criticada por médicos, juristas e pedagogos, a Roda, extinta em 1862 na Europa, deixou de existir em São Paulo apenas em 1944. A peça de madeira com cilindro central e rotativo, que recebeu menores abandonados no século XIX e início do século XX na capital paulista, encontra-se hoje no Museu da Irmandade da Santa Casa de Misericórida de São Paulo.

 

SERVIÇO: A dissertação de 253 páginas - "Do asilo dos expostos ao berçário: Assistência e proteção à criança abandonada na cidade de São Paulo" - está publicada na Biblioteca Digital da Unicamp: www.bibliotecadigital.unicamp.br.

Contatos com o autor, Professor Doutor José Fernando Teles da Rocha, através do e-mail: rocha97@hotmail.com

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