Qui, 02 de Abril 2026 - 19:16
ENSINO MÉDIO - Após dois anos de Pé-de-Meia, abandono escolar cai 43%
Com 5,6 milhões de estudantes beneficiados, o que corresponde a mais da metade do total de alunos do ensino médio público do país, programa evitou que jovens abandonassem a escola, além de reduzir em 33% as reprovações.
Por:
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Básica (SEB)
O Pé-de-Meia completa dois anos em 2026 e, desde sua criação, colaborou para que o número de alunos fora do ensino médio caísse quase pela metade – enquanto em 2022 a taxa de abandono escolar era de 6,4%, em 2024 ela caiu para 3,6%, uma diminuição de 43%. Além disso, a taxa de reprovação escolar também recuou em 33% no mesmo período, e o atraso escolar (distorção idade-série) sofreu queda de 27,5%, entre 2022 e 2025.
Os dados foram apresentados pelo ministro da Educação, Camilo Santana, acompanhado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira, 1º de abril, durante evento em Fortaleza (CE), que marcou a inauguração da primeira fase das obras do campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará.
Na cerimônia, Lula afirmou que o Governo do Brasil e o MEC recuperaram o tempo perdido que soma décadas, em que se deixou de investir na educação brasileira. “A educação é o melhor investimento que um país pode fazer para melhorar as perspectivas de seu povo. No Pé-de-Meia, o nosso investimento até agora foi de R$ 18,6 bilhões.
Governar um país e fazer uma ponte é fácil, governar um país e fazer um viaduto é fácil, governar um país para 30% da população é fácil. O desafio é você escolher entre a ponte e uma escola, a ponte e uma creche”, defendeu.
Santana destacou que antes do programa a evasão escolar no ensino médio era de 500 mil estudantes por ano. “Nós estamos comemorando hoje dois anos do Pé-de-Meia, que já beneficiou mais de 5,6 milhões de jovens, e só um presidente com a sensibilidade do presidente Lula foi capaz de criar um programa para dizer: ‘nós não queremos nenhum aluno fora da escola pública neste país’”, comemorou.
Os 5,6 milhões de estudantes beneficiados pelo programa desde sua criação correspondem a mais da metade (54%) do total de alunos do ensino médio público do país. O investimento do Governo do Brasil na política, de R$ 18,6 bilhões ao longo dos anos letivos de 2024 e 2025, tem ajudado jovens a permanecerem na escola com uma trajetória de sucesso.
UF Número de beneficiados (2024 e 2025) Beneficiados (% em relação ao total da rede pública)
Acre 39.161 64,97%
Alagoas 136.743 65,78%
Amapá 35.367 74,08%
Amazonas 198.207 68,27%
Bahia 566.616 67,86%
Ceará 391.237 76,43%
Distrito Federal 61.943 47,70%
Espírito Santo 88.086 47,33%
Goiás 166.243 45,10%
Maranhão 322.841 76,68%
Mato Grosso 91.883 44,56%
Mato Grosso do Sul 64.393 45,92%
Minas Gerais 492.524 49,76%
Paraná 202.444 36,60%
Paraíba 154.326 72,73%
Pará 385.279 73,11%
Pernambuco 366.435 73,82%
Piauí 148.457 70,53%
Rio Grande do Norte 120.149 71,08%
Rio Grande do Sul 173.719 37,81%
Rio de Janeiro 383.789 55,07%
Rondônia 50.864 47,13%
Roraima 22.363 59,58%
Santa Catarina 85.404 25,50%
Sergipe 88.137 72,90%
São Paulo 775.865 38,05%
Tocantins 61.460 60,78%
TOTAL BRASIL 5.673.935 54,24%
Perfil – O perfil dos participantes do Pé-de-Meia reforça seu caráter de inclusão e equidade educacional. Voltado a estudantes de famílias cadastradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), ou seja, jovens cujas famílias tenham renda de até meio salário mínimo por pessoa, do total de beneficiários, 51,5% são meninas e 72,9% são negros, entre pretos e pardos – segundo dados de 2025. Em todo Brasil, 56.929 estudantes indígenas receberam o incentivo desde o início do programa.
Os participantes ganham R$ 200 por mês, caso mantenham a frequência escolar, e R$ 1.000 por ano de ensino concluído com aprovação, além de uma parcela extra para quem participa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no ano de conclusão. Enquanto as parcelas mensais podem ser utilizadas imediatamente, auxiliando em gastos diários dos estudantes, os pagamentos de R$ 1.000, por outro lado, são depositados em poupança e podem ser sacados apenas após a conclusão do ensino médio, como um incentivo para encerrar essa etapa de ensino e uma perspectiva para o futuro.
Para Liz de Araújo, que recebe a poupança há um mês e usa os recursos para comprar itens pessoais, ajudar em casa e, principalmente, adquirir materiais didáticos, o valor é essencial para manter estudantes periféricos em sala de aula. “Muitas pessoas pensam em desistir, mas por conta do Pé-de-Meia conseguem continuar os estudos. Vários colegas não conseguiam concluir a escola porque precisavam ir atrás de empregos para poder ajudar a família, e agora não precisam mais. Dá para continuar e se sentir motivada com os estudos”, falou.
Pé-de-Meia – Instituído pela Lei nº 14.818/2024, o Pé-de-Meia é um programa de incentivo financeiro-educacional destinado a promover a permanência e a conclusão escolar de estudantes matriculados no ensino médio público. Seu objetivo é democratizar o acesso e reduzir a desigualdade social entre os jovens do ensino médio, além de fomentar mais inclusão pela educação, estimulando a mobilidade social. Os estados, os municípios e o Distrito Federal prestam as informações necessárias à execução do incentivo, possibilitando seu acesso aos estudantes matriculados nas respectivas redes de ensino.