APEOESP - 81 Anos APEOESP - Logotipo
Sindicato dos Professores

FILIADO À CNTE E CUT

Banner de acesso ao Diário Oficial

NOTÍCIAS 2026

Voltar

Sex, 07 de Agosto 2026 - 17:20

Ideb bate recorde de avanços, mas SP e RJ expõem fracasso da direita na educação

Enquanto o Nordeste lidera o avanço histórico da educação básica com foco na rede pública, São Paulo e Rio de Janeiro amargam índices vexatórios sob a sombra de gestões bolsonaristas e propostas de privatização

Por:

 

A educação básica brasileira alcançou o melhor resultado de sua série histórica, iniciada em 2005. Dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), mostram avanços consistentes em todas as etapas: os anos iniciais do ensino fundamental subiram de 6,0 (em 2023) para 6,3; os anos finais evoluíram de 5,0 para 5,3; e o ensino médio passou de 4,3 para 4,5.

O cenário nacional revela, no entanto, um profundo abismo de gestão: enquanto o Nordeste consolida um modelo de sucesso baseado em políticas de Estado, capitais e estados governados por grupos de extração bolsonarista e conservadora, como São Paulo e Rio de Janeiro, expõem o fracasso de suas apostas na precarização e na privatização do ensino.

Com isso, os resultados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) traçam o retrato de um Brasil em transformação, marcado por um duplo movimento. Por um lado, o país comemora os melhores números de sua história na educação básica, impulsionados pela recuperação da aprendizagem no pós-pandemia e pelo protagonismo de políticas públicas focadas em equidade e cooperação. Por outro, os maiores e mais ricos centros econômicos da Nação — governados por gestões alinhadas ao bolsonarismo — amargam um desempenho constrangedor, expondo os limites do desmonte estrutural e das investidas de terceirização do ensino público.

O avanço histórico nacional e a virada do Nordeste

Esse avanço geral é acompanhado de uma queda drástica no número de municípios em situação de extrema vulnerabilidade educacional. O MEC anunciou que intensificará o suporte técnico aos 442 municípios que ainda apresentam Ideb inferior a 4,9 nos anos iniciais — uma redução drástica em relação aos 4.110 municípios nessa condição em 2005 e 1.097 em 2023).

O protagonismo educacional do Brasil em 2025 tem nome e sobrenome: Nordeste. A região domina o topo do ranking e é responsável por sete das oito cidades que alcançaram a nota máxima (10,0) nos anos iniciais do ensino fundamental, com destaque para municípios de Alagoas (como Coruripe, Santana do Mundaú e Pires Ferreira) e do Ceará (como Catunda e Cruz).

Longe do estigma de atraso, o Nordeste transformou-se no maior modelo pedagógico do país. Nos anos finais, municípios como Deputado Irapuan Pinheiro (CE) e Custódia (PE) lideram o ranking nacional. No ensino médio, o Piauí figurou como a segunda maior evolução do país desde 2017, alcançando a marca de 4,9 pontos, ao lado do Paraná.

A receita do sucesso nordestino repousa em pilares sólidos e estatais: programas de alfabetização na idade certa, fortalecimento do ensino em tempo integral, formação continuada de docentes e, sobretudo, uma cooperação institucional estreita entre governos estaduais e prefeituras. O modelo cearense, alicerçado na alfabetização na idade certa, na avaliação contínua e no forte regime de colaboração entre o governo estadual e as prefeituras, tornou-se referência nacional.

O fracasso da vitrine paulistana e a aposta na privatização

Em contraste gritante com a evolução nacional e nordestina, a cidade de São Paulo — a mais rica do país e dona do maior orçamento municipal da América Latina — apresentou um desempenho considerado vexatório. Sob a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), alinhado ao campo bolsonarista, a rede municipal atingiu a nota 5,8 nos anos iniciais do ensino fundamental.

O índice, além de estar abaixo da média das redes municipais brasileiras (6,1), não conseguiu sequer retomar o patamar pré-pandemia de 2019, quando a capital paulista registrava nota 6,0. Nos anos iniciais, a capital paulista caiu para a 17ª posição entre as 26 capitais, muito distante de líderes como Teresina (6,9) e Curitiba (6,9).

A defasagem pedagógica em São Paulo é alarmante. Nas provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), os alunos dos anos iniciais da capital obtiveram 205,72 pontos em língua portuguesa e 218,17 em matemática. A distância para a média nacional (215,51 e 227,79, respectivamente) ultrapassa os 12 pontos — variação que especialistas e pesquisadores qualificam como a perda equivalente a um ano inteiro de aprendizado. Nos anos finais, a capital obteve 4,9, empatando com a média nacional, ocupando apenas o 10º lugar entre as capitais.

Nos anos finais, a capital paulista alcançou 4,9, estagnada em relação a 2021 e ocupando apenas a 10ª posição entre as capitais (lideradas por Teresina e Curitiba). A resposta da gestão conservadora de Nunes para o fracasso não tem sido o aumento do investimento público ou a valorização do magistério, mas acelerar a entrega da infraestrutura escolar à iniciativa privada.

Após reeleger-se, o prefeito intensificou o edital para transferir a gestão de escolas municipais de ensino fundamental para entidades privadas sem fins lucrativos, sob forte contestação judicial e repúdio de entidades educacionais, que veem na medida uma tentativa de mascarar a incapacidade de gerir a rede pública.

Rio de Janeiro: o abismo da descontinuidade e do descaso

Se a capital paulista estagna, o estado do Rio de Janeiro, governado por alas do bolsonarismo e da direita conservadora, vive um verdadeiro colapso educacional. No ensino médio, a rede estadual fluminense registrou Ideb de apenas 3,7 (a média nacional é 4,5), amargando o segundo pior resultado do país. O Rio foi governado por Cláudio Castro (PL), outro expoente do bolsonarismo, inelegível devido a abusos de poder político e econômico e alvo de investigações da Polícia Federal até março deste ano.

Os dados do Ideb 2025 escancaram o fracasso das políticas educacionais fluminenses, marcadas por denúncias sindicais sobre o descumprimento do piso nacional do magistério e o sucateamento das unidades escolares. Sob a justificativa de combater a evasão, o NOA serviu, na prática, como uma ferramenta de aprovação automática para maquiar os indicadores do Ideb, escondendo o analfabetismo funcional e a falta de investimentos estruturais nas escolas.

No ensino médio — etapa de responsabilidade direta do governo estadual —, a rede pública do Rio de Janeiro registrou a nota 3,7, amargando a segunda pior colocação de todo o país, à frente apenas do Distrito Federal. Os dados acumulados da última década (2015-2025) revelam um quadro estarrecedor de desmonte: o Rio de Janeiro lidera a queda nacional de desempenho nas avaliações do Saeb, com uma perda acumulada de 10,53 pontos em matemática e 11,09 pontos em língua portuguesa.

A adoção do “Novo Ensino Médio” (recentemente revogado pelo governo federal) e o programa “Novas Oportunidades de Aprendizagem” (NOA) explicam os resultados pífios. A avaliação de sindicalistas e de especialistas aponta que governos de extração conservadora no Rio apelaram para “maquiagens estatísticas”, como o NOA, que, na prática, instituiu a aprovação automática sem a garantia do aprendizado real mascarando analfabetismo funcional. A implementação atropelada e fragmentada do Novo Ensino Médio pela Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) aprofundou o esvaziamento curricular e o abandono das salas de aula.

O legado comparativo de dois projetos de país

O panorama revelado pelo Ideb 2025 ultrapassa a frieza dos índices estatísticos e oferece uma análise comparativa sobre o impacto das escolhas políticas na gestão da educação pública. Massa crítica do debate educacional, os dados comprovam que o sucesso escolar não depende estritamente do volume da riqueza bruta de um município ou estado, mas da prioridade política dada à escola pública.

Enquanto estados do Nordeste provam que o investimento consistente na carreira docente, na gestão democrática e na equidade pedagógica gera resultados de excelência global, os polos da extrema direita no Sudeste colhem o fruto do descaso, da improvisação e de dogmas privatistas que precarizam a formação das futuras gerações. O sucateamento, a guerra cultural e a desresponsabilização reflete uma visão que encara a educação básica como um fardo orçamentário, e não como motor de desenvolvimento.

O resultado prático dessa ideologia é cruel: enquanto crianças nordestinas de cidades pobres do semiárido atingem a excelência, estudantes da cidade mais rica da América Latina e do segundo maior PIB do país são condenados a uma década de atraso e aprendizado insuficiente.

 

Publicado 06/08/2026

Vermelho

 

 

Topo

APEOESP - Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo - Praça da República, 282 - CEP: 01045-000 - São Paulo SP - Fone: (11) 3350-6000
© Copyright APEOESP 2002/2011